Beijo...



Será afeto, o beijo,
Ato dos meus lábios, tocarem no teu rosto,
Carinho, em tua tez,
Pavio,
Em surdina, ao lóbulo da orelha chegar,
Na viagem do beijo,
Acende-se o rastilho, no canto dos teus lábios, beijar.
 
O beijo, nos teus lábios, chama,
Se corta a respiração, aumenta a tensão,
O arrepio, é fogo,
Beijo intenso, molhado, trocado,
Se Trinco o lábio,
Suave dor, o calor, fruto do beijo, é paixão,
Incendeiam-se os corpos, amor,
Sem ar,
Sôfrego, morreu,
Assim, o beijo em teus lábios...
 

Ousada...



Fizeste da fraga,
Cama,
Repousas o corpo, tu, mulher, sereia,
Sem pudor, despedia, ousada,
Serena,
Silêncio para os meus olhos, o teu repousar.
 
Porque a fraga?
Com prazer te entregava o meu corpo,
Meu peito, almofada, aconchego,
Conforto,
Minha vida, cama, o teu respirar.
 
Aconchego-te com os olhos, dilacerados,
Beijo os teus pés, acaricio-te o corpo, sou onda,
Mar,
Embalo-te os sonhos,
Ousada, repousa, sonha, vida inacabada…
 

Corpo e Mar...



Feliz,
Sem luz, brilho, cor ou paixão,
Em braços,
Permaneces tu, no conforto,
Cabeça aninhada, no peito, o bater do coração,
Que te protege.
 
Porque ofereces tu, o teu corpo, opulente,
Ao mar, às mares,
Á chuva, ao frio, ao vento,
Permites, que o sal do mar, te corroa,
Te penetre na pele,
Em deleite, opulente, de peito feito.
Ofereces o peito e amparas,
Não há mar ou marés, em teu gesto, proteges,
Quem amas, com alma,
Inacabado, eterno, presente,
Opulente, para sempre, de peito feito...
...
 
 

Cores natureza...



Se pintar o amor,
Pinto-o, com as cores da natureza,
Não tem cor, só beleza…
...
 
 

Despertar sentidos…



Silabas, palavras,
Descoordenadas, perdidas sem tempo,
Em maré baixa,
Ondas, são vogais,
Ri, são palavras para ti,
Marinheiro, em mar de palavras,
Por mares imaginários,
Viajas,
Lês esta conjugação de silabas,
Ri, são para ti,
Poesia,
Meu sonhar,
De silabas, em flor,
Um sonhar, teu jardim,
Meu mar,
Foi um sonho,
Que despertou, os sentidos, em mim…
...
 

Será preciso morrer…



Será preciso morrer,
Para virar poesia, um amor.
Palavras, com alma, melodia,
Do nada surgem,
Em surdina,
Expressão a dor, do sentir, amor.
 
Alma,
Tu que não sentes, adormeces,
O vazio do coração.
Porque não sentes, alma,
Esta dor, este amor?
Pregos, espinhos, alfinetes,
Que se entranham,
A dor que infligem na carne, desprovida,
Nua, de sentimentos,
Sentes?
 
Poeta, escritor,
Sê a voz do coração, traduz em palavras,
Mata a dor, foi amor, é saudade…
 
 

Poesia…



Palavras que falam,
De um nós,
Escrito com alma,
Por quem sente.
 
Nós, vós,
Escritores, leitores,
Palavras,
Lidas a uma só voz,
Todos nós,
Gente que sente,
Fareja,
Nas palavras em verso,
Sentimento,
A alma da poesia…

Sabedoria…


Será a vida e a morte,
Um estado de alma?
 
Em vida tem corpo,
Na morte, para sempre,
A alma,
É o nosso pensar em vós.
 
Pensadores, povo, poetas,
Sabedoria que cá deixais…
 
 

Partilhar ou Zapping?



Doí-me a alma,
Esgotei a paciência,
Desliguei do mundo, de vós,
Pensadores, críticos, escritores, guerreiros, políticos.
 
Pensadores, pensam, só pensam,
Críticos, escritores que opinam, sim, só opinam,
Vós guerreiros, que enchem as ruas, sem paus, foices, martelos,
Roucos, sem voz.
 
Políticos, sim, haverá verdadeiros políticos?
Democracia? Anarquia? Ou ditadura sem censura?
Um governo, que governa, em desgoverno,
Vozes de quem governa, sem norte,
A oposição, que não se cala, fala, apenas fala, em desnorte,
São palavras, de quem nada sente.
 
Ou sente?
Sente, a carteira em pele do amigo,
A quem fica bem e é giro, pagar um Pargo,
Feito na grelha que é a gente.
Desliguei…
 
Pensadores, críticos, escritores, opinem a uma só voz,
Guerreiros sem paus, gritai,
Que se foda a Troika, que se fodam os políticos,
Será Rei,
O povo que já não acredita,
Ainda assim grita, luta,
Sem voz, ganha um pouco de nada, obedece, paga,
Merda, Desliguei…
 
Zapping?
Políticos, inimigos do hoje,
Amigos de alguém, amanhã,
Um mate e esfola o Coelho,
Falam, falam, falam, não dizem nada,
Amanhã,
Um aperto de mão, não pedem esmola,
Desliguei…
 
Sim, desliguei, não sem antes dizer,
Indignado?
Escrevi, lutei por palavras…
 
 

Devaneios…


Emoções da alma,
São farpas,
Espetadas no nosso ser.
Fazem-nos doer,
Gritar,
Explodir.
Foda-se,
É puta, a vida,
Malvada,
Vil.
Tem tanto de frágil,
Como de bela.
Devaneios de um sentir…
 

Poesia...



Nós suspiramos,
A lua inspira...
Poesia é suspirar,
A olhar para ela...
Sem poesia,
Também é bela,
Inspira,
A poesia somos nós...
 

Asas de andorinha…



Será o amor,
Sentimento inacabado?
Que dura e perdura,
Sentimento lixado.
 
Chega a primavera,
Vislumbro uma andorinha,
Assim é o sacana,
Tem dias que migra.
 
Se lhe dissermos não,
Ladra, ladra, casmurra,
Migra com a lagrima,
Mas volta de surdina.
 
Sentimento inacabado,
Volta sem hora marcada,
Vem ao sabor do vento,
Asas de andorinha…
 
 

Serei...


 
Serei eu alguém?
Vida com alma,
No canteiro de alguém.
 
Não sou gente,
Não sou ninguém.
Serei flor?
Erva daninha,
Trepadeira,
Pau de marmeleiro,
Toupeira,
Fruto da imaginação,
Paixão.
Serei amor?
Não sei,
Já hoje sou vida com alma,
Amanhã,
Sei, serei também…
 

Palavras sem nós…



Em desnorte,
Enquanto não chegas,
Nos labirintos da noite.
Grito,
Oiço, os ecos de mim.
Sem voz,
Palavras sem nós,
São gritos,
Que entoam de mim,
Por sussurros.
 
Leva-os a brisa,
Pediu-me os sonhos.
Moeda de troca,
Por ti, minha vida,
Meu desejo sem norte…
 

Lascas d'A Cabana…


No varandim da noite,
Pelo fio das ruelas,
Em caminhadas loucas,
Quis o destino,
Era A Cabana a chamar.
 
Seria fome?
Em boa companhia jantar?
Ou os segredos d’A Cabana,
A melodia para o paladar.
 
Mastigar as palavras,
Cuidadosamente preparadas,
Refinadas doses de humor,
Servidas em pratos quentes.
 
Brandos momentos,
Não sei, porque se foram,
Ficarão,
Retidos em memórias,
Os sorrisos,
Que aqueceram a noite fria,
Doces fios de mel…


Á equipa/familia do Restaurante A Cabana-Apúlia
Muito obrigado pela simpatia e boa disposição.
Até Breve


 

Palavras sem voz…



Não sei,
Escrever diferente,
Sou gente,
Falo por nós,
Gente que sente,
Coração quente,
De palavras,
Sem voz…
 
São palavras,
Inexplicáveis,
Tão pouco palpáveis,
Maleáveis,
Só sentidas por nós…
 
Saberás?
Escrever diferente,
Sentir as palavras,
Sem voz,
No suspiro,
Que agora mé dás...
 
 

Silêncio de nós…


Sem voz,
O silêncio de nós,
Na rouquidão das palavras,
Gestos.
Serás tu estrela cadente,
Eclipse lunar,
Em nosso cruzar almas…
 
No silêncio do nós,
Salpicos de estrelas,
Salpicos de ti,
De nada,
Fala-me a lua,
Nesta noite escura,
Gestos,
Sentidos por nós…
 
Palavras roucas,
Agora, sem voz são poucas,
No silêncio,
Unem-se os corpos,
Eclipse do nosso amar…
 
 

Haverá Setembro...



Perdido em ti,
Prazeres que o dia me dá,
Canta o melro negro,
Gaivotas no ar,
Silêncios do mar,
Em meus olhos espantos.
 
A paixão é o vicio,
Do sangue quente,
Prazeres da mente,
 
Paixão de ninguém.
 
O amor é o querer,
Partilhar o sangue quente,
É o coração que sente,
 
Amores por alguém.
 
Agosto em desfolha,
Noites de verão.
São estrelas memórias.
 

Compêndio em flor…



Nasci do pólen,
Em botão amadureci,
Brotei em flor,
Botão de rosa e jasmim,
Serei flor no teu jardim?
 
Do pólen os aromas,
Em cores pétalas o jardim,
Aquelas que por lá brotam,
Flores, pedaços de mim.
 
Será por ti meu amor?
Que cresce a flor de mim,
Pétalas em cor,
Compêndio em flor,
Meu coração, teu jardim…
 

De Olhares…



Será ilusão,
Ou o querer da minha paixão,
Para ti sorri,
Do fundo do coração,
Em cruzar de olhares.
 
Continuas a passada,
Já não tão apressada,
Sufoco provocas no meu ser,
Por te querer dizer,
Que és meu,
Em meu adormecer.
 
São olhares de fogo,
Incandescentes, cor de paixão,
Para, olha nos meus olhos,
Sente,
O que por ti sinto,
Se o teu olhar me preenche,
Me derrete o coração,
Em nosso cruzar de olhares.
 
Sem um olhar para traz,
Saberás?
Que de cruzares de olhares,
Vivo e me alimento,
Contigo em pensamento,
Saberás?
De que são feitos os teus olhos?
De amores…
 

Tenho sede...


Longa travessia,
Deserto, que é o estar sem ti,
Sob este calor intenso,
Até ti caminho.
 
Caminho há dias,
O calor da nossa paixão,
Seca-me,
Sim, tenho sede!
 
Sob o calor da nossa paixão,
Caminho,
És água para a minha alma,
Tempestades de areia. 
 
Pelas sombras da nossa paixão,
Caminho com esperança,
Alimento-me de ti,
Nossos momentos vividos.
 
És tu? Uma miragem de ti?
Olhar intenso,
Bebo dos teu olhos,
Mato esta sede em mim….
 

Putos Casal Vicente...



De pé descalço,
De pós o roncar nos faz correr,
Em terra dura,
Na corrida do crescer.
São piões, são cavilhas,
De raquetes sem bolas,
Pista das caricas,
Carros de rolamentos a andar.
Figueiras trepar,
As ameixas “roubar”,
Para de ovos apanhar,
Lírios nas clareiras.
De cantos e recantos,
Ao chafariz, agua buscar.
Ficar perdido no cantinho,
Do nosso brincar.
São fogueiras,
Aviões de papel,
Em cordas lençóis brancos,
São as molas,
Das minhas memórias.
 
As memórias não se esgotam,
É um prazer convosco partilhar,
De infância as memórias...
 
Obrigado a todos.